O sacramento do Batismo foi negado a muitas crianças nesta situação. Conheça o que a Igreja pensa sobre isso.
Conheça o que a Igreja pensa sobre isso:
No último dia 12 de janeiro, o Papa Francisco batizou, entre outras crianças, o filho de umcasal
que tinha se casado apenas no civil. Diante das numerosas perguntas
que nos chegaram, apresentamos aqui uma segunda resposta,
esclarecendo também se existe diferença entre um padrinho
de Batismo e
um de Confirmação.
Precisamente
quando recebi esta pergunta, o Papa acabava de batizar essa criança.
Daí que, evidentemente, a resposta é sim. No entanto, alguns
esclarecimentos podem ser de grande utilidade.
Já
aconteceu algumas vezes – hoje em dia, felizmente, com menos
frequência – que um pároco tenha negado o sacramento do Batismo
quando
os pais tinham
contraído o casamento civil, mas não o canônico. A razão alegada
é que, ao viver em desacordo com a fé, os pais não
estariam capacitados para transmitir a fé ao filho. Mas neste
argumento há dois erros.
O
primeiro é que viver em desacordo com a fé não significa não ter
fé. Basta observar a vida para constatar isso. Mas também há uma
razão teológica, neste sentido: o pecado mortal retira a graça e a
caridade, mas não a fé, salvo que o pecado seja diretamente contra
a fé – ou seja, que de uma forma ou outra se rejeite
explicitamente a fé.
O
segundo erro é que, estritamente falando, não é imprescindível
que os pais tenham
fé para batizar seu filho licitamente. Os requisitos estão no cânon
868 do Código de Direito Canônico: o consentimento dos pais,
pelo menos de um dos dois, ou de quem legitimamente os representa, e
que haja esperança fundamentada de que a criança vai ser educada na
religião católica.
O
mais sensato, levando em consideração o segundo requisito, é que o
pároco garanta que se cumpra e vele especialmente por que se deem as
suficientes garantias, dentro do possível. A principal delas é a
escolha de padrinhos idôneos.
O
Código também indica os requisitos para assumir o compromisso dos
padrinhos.
São vários, mas o mais interessante aqui é que eles tenham uma
vida congruente com a fé e com a missão que vão assumir (cânon
874, § 1, 3),
Pode
parecer surpreendente que se exija dos padrinhos mais
do que se exige dos pais.
Mas compreendemos melhor isso ao perceber que não podemos escolher
os pais da
criança, mas sim os padrinhos,
o que mostra a conveniência desta disposição. Porque a prioridade
é a formação da criança na fé.
O Batismo,
a recepção da primeira graça que torna a criança filha de Deus, é
o melhor presente que ela pode receber; mas ela não pode ser
batizada se não houver expectativas razoáveis de que receberá a
necessária educação na fé. O próprio Código diz isso: "se
tal esperança faltar totalmente, difira-se o Batismo,
segundo as prescrições do direito particular, avisando-se
os pais do
motivo" (cânon 868,§ 1, 2).
Esta
formação na fé é tão importante? Sim. O Batismo de
um adulto requer fé e contrição pelos seus pecados. Como um bebê
não tem uso de razão, esta contrição não pode lhe ser exigida.
Então, resta a fé, que também não pode ser exigida da criança,
mas sim daqueles que a levam ao Batismo,
porque se comprometem a colocar os meios necessários para que a
semente da fé possa germinar quando ela tiver uso de razão. Sem
isso, a graça de Deus seria desperdiçada.
Os padrinhos devem
ser pessoas idôneas para formar na fé, tanto pelos seus
conhecimentos quanto pela sua vida. Esta é a exigência da lei da
Igreja – e a lógica.
Ainda
que às vezes o papel dos padrinhos e
a responsabilidade que eles assumem não sejam bem compreendidos, a
verdade é que a sua missão se torna muito séria, de modo
particular quando os pais não
estão nas melhores condições para dar esta formação.
Com
relação aos padrinhos da Crisma/Confirmação,
deles são exigidos os mesmos requisitos que os do Batismo.
Evidentemente, sua importância real dependerá muito da idade de
quem recebe a Confirmação.