O desenvolvimento
dos temas apresentados durante a 3ª Semana Brasileira de Catequese seguiu, de
certa forma, o tradicional esquema do ver, iluminar e agir. Essa metodologia
ajudou os participantes a irem conhecendo e se identificando com a proposta.
Afinal, um dos objetivos era que as pessoas saíssem dali dispostos a fazer
acontecer o Processo da Iniciação à Vida Cristã nos mais variados cantos do
País.
O primeiro
tema já chegou causando grande impacto e muitos questionamentos: “Catequese
num mundo em transformação. Desafios do Contexto sociocultural, religioso,
eclesial para a iniciação cristã”, apresentado pelo Pe. Joel Portella.
Afinal, quando se faz uma séria análise da realidade do mundo de hoje, é fácil
constatar que estamos vivendo uma “mudança de época”. Mas o que isso quer dizer
mesmo? O que tem a ver com a vida da gente e com a catequese?
Todo mundo
já percebeu que nessas últimas décadas aconteceram muitas transformações em
vários aspectos da vida. Além da perplexidade diante dessas novas situações, o
que mais desorienta as pessoas de hoje é que nos encontramos diante de um novo
jeito de assumir, avaliar e enfrentar a vida e seus desafios. Não há mais
segurança diante dos critérios de como captar, compreender e julgar tudo isso
que vai acontecendo ao nosso redor. Isso tem grandes consequências que vão
atingir todos os aspectos da vida, inclusive a catequese!
De acordo
com o Pe. Joel a rapidez com que tudo isso vem acontecendo, nos coloca diante
de dois perigos: “O primeiro perigo é o não reconhecimento da mudança de época.
É achar que este novo jeito de lidar com a vida é questão de mau comportamento
ou ignorância religiosa. É dizer que as coisas sempre funcionaram do jeito que
conhecemos e, portanto, o caminho, no caso, da evangelização consiste em
continuar fazendo o que sempre foi feito, do modo como sempre foi feito. Este é
o perigo de quem não consegue ou não quer enxergar a mudança”. E eu digo, pelas
experiências que estou tendo, que esta situação está presente de modo
fortemente acentuado em muitas de nossas Comunidades, tanto com os leigos, como
com o clero. Além da “pastoral de conservação”, será que isso não explica a
volta de certo tradicionalismo que cada vez mais está ganhando forças dentro da
Igreja?
Pe. Joel
afirma também que “O segundo perigo consiste em mergulhar de tal modo na nova
realidade que já não se consiga fazer o discernimento entre o que é evangélico
e o que não é. Este perigo consiste na total identificação com as expectativas
da época que está surgindo, de modo que a ação evangelizadora acabe perdendo
sua capacidade de interpelação, de questionamento, de profetismo e dimensão
escatológica. O segredo, consequentemente, é o discernimento.” Mais adiante ele
diz: “Ingressar na cultua atual, globalizada, individualizada, consumista (...)
não significa, portanto, ser apresentado à pessoa e à mensagem de Jesus
Cristo”.
Diante dessa
realidade o primeiro desafio a ser assumido por toda a Igreja é o de “recomeçar
a partir de Jesus Cristo”, anunciando e reanunciando Jesus Cristo às pessoas de
hoje, tantas vezes quantas forem necessárias até que cheguem a serem suas fiéis
discípulas. Esses são, sem dúvida, importantes pressupostos sobre o qual se
embasam um eficaz Processo de Iniciação à Vida Cristã.
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Leia todo
esse tema no livro “3ª Semana Brasileira de Catequese. Iniciação à Vida
Cristã”, publicado pela “Edições CNBB”, nas páginas 45-56. Consulte o site www.edicoescnbb.com.br e veja como adquirir este livro.
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Pe. Luís
Gonzaga Bolinelli – Doutrinário