Ecumenismo é um terreno delicado, sujeito a muitas interpretações
equivocadas. Nessa área, em vez de dar opiniões pessoais, tudo fica mais seguro
e mais convincente se aquele que comunica a mensagem estiver sólida e
explicitamente apoiado na palavra oficial da Igreja. Insegurança nesse campo é
um convite ao desastre.
Acontece, porém, que o catequista nem sempre
consegue acompanhar o que está dito nos documentos oficiais. Concorrem para
isso vários fatores: a Igreja escreve textos demais (sem tempo para que todos
sejam devidamente assimilados); a linguagem nem sempre é muito fluente,
familiar; muitas comunidades não orientam suficientemente esse estudo; nosso
povo não está acostumado com esse tipo de literatura; o catequista às vezes nem
sabe que o documento existe.
No entanto, esse estudo é indispensável, não
só no que se relaciona ao ecumenismo, mas para todas as áreas de trabalho da
Igreja. De que adiantaria nossos pastores falarem se a comunidade não os
ouvir?
Diante disso, seria importante que cada
comunidade, devidamente animada pelo padre e por outros que conheçam o caminho,
ponha à disposição dos catequistas os textos mais importantes, com a
possibilidade de esclarecimento de eventuais dúvidas. Para o próprio
catequista, eu recomendaria um processo que eu mesma usei desde o começo da
minha atividade pastoral para me familiarizar com o que diz a minha Igreja. É
assim:
1º passo: descobrir com as lideranças (ou acompanhando as notícias da
Igreja) que textos seriam mais importantes no momento.
2º passo: ler um documento inteiro com atenção, sublinhando os trechos
que parecem mais importantes.
3º passo: voltar a cada um dos trechos sublinhados, tentando entender o
que de fato ele quer dizer; para isso, seria bom tentar expressar as idéias ali
contidas numa linguagem mais simples, como se a pessoa estivesse contando a uma
vizinha que não está acostumada com a “língua da Igreja” o que ali está sendo
comunicado. Se for difícil entender algum termo teológico ou alguma afirmação
mais complexa, anotá-los para consultar depois o padre ou alguém que domine o
assunto.
4º passo: Fazer, diante de cada trecho sublinhado, a pergunta: o que
deveria ser feito na minha vida pessoal, no trabalho pastoral ou na vivência da
comunidade para que o que está aqui escrito seja integralmente posto em
prática?
Talvez um catequista iniciante ache que
estamos pedindo demais. Afinal, ele já se dedica bastante à Igreja, gasta com
ela tanto de seu tempo e de seus recursos... Eu mesma não teria coragem de dar
essa sugestão se, por experiência própria, não tivesse certeza de que o
primeiro a ser beneficiado com esse tipo de trabalho será o próprio catequista.
E não falo somente do benefício de se tornar um catequista mais eficiente. Esse
hábito de estudo prepara a pessoa para muitos outros tipos de aprendizado, gera
uma segurança que impulsiona aquela autoestima sem a qual ninguém vai realizar
nada importante em qualquer área. Assim, ajudamos a construir a Igreja e ela,
por sua vez, constrói em nós o que precisamos para crescer, em todos os
aspectos. E, por acréscimo, ficamos mais preparados para transformar o mundo
num lugar melhor.
Therezinha Cruz
Postado por Bíblia e Catequese
Publicado originalmente em Bíblia e Catequese.