A
noite de Natal nos faz contemplar a manjedoura de Jesus Menino:
“encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa
manjedoura” (Lc 2,12). Celebrar o Natal, portanto, é perceber a
ação quenóticade Deus que se revela na pobreza. Os
anjos não glorificam um menino no seu trono glorioso, mas um menino
pobre no meio dos animais. Na singeleza de Deus, podemos tocá-lo.
“Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna
Criança, o Deus que faltava. Ele é o humano que é natural. Ele é
o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a
certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro” (Fernando Pessoa).
Por
seu rebaixamento, Ele se deixa revelar. “O Verbo se fez carne...”
(Jo 1,14). Agora a voz de Deus é uma voz humana, Deus tem carne
humana, rosto humano, jeito humano... Agora, sim, sabemos quem é
Deus. “A Palavra eterna fez-se pequena; tão pequena que cabe
numa manjedoura. Fez-se criança para que a Palavra possa ser
compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas
audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto,
que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (Verbum Domini
12).
Ao
contemplá-lo, nossa vida é tocada. A encarnação não se resume a
imagem poética de Jesus com seus pais terrestres, pois a graça se
manifestou no trazendo a salvação (Tt 2,11). Agora somos filhos de
Deus, pois nascemos de Deus (Jo 1,12-13). Não há lugar para o ódio
e para o rancor. Que o Natal nos ajude a interiorizar a graça da
salvação, trazendo-nos a paz e a consciência de que devemos viver
todos como irmãos...
Pe
Roberto Nenwing
