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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A arte da convivência familiar

rrrPe. Rinaldo Roberto de Rezende | Pároco da Catedral de São Dimas
Embora pensada por Deus como um projeto magnífico a convivência familiar, sobretudo em nossos dias, encontra-se  marcada por grandes obstáculos para acontecer de maneira efetiva e produzir na vida das pessoas a realização desejada.

Os motivos porque é assim são vários. Porém, muito mais do que tentar explicar a complexidade dos fatos – o que não é fácil e nem benéfico -, parece que apontar caminhos seja a atitude mais sensata.
Não precisamos de meros indicadores dos problemas e de suas causas, mas sim de profetas que apontem direções pelas quais se pode superar o que parece ser o fim, mas, na verdade, é apenas desafio.
Inspirado em algumas leituras e meditações feitas no dia a dia, passando por diversas comunidades, resolvi colocar em síntese algumas ideias, que vejo como importantes como reflexão para o enriquecimento da vida conjugal e familiar.
Em primeiro lugar, é importante ter consciência de que o casamento é o encontro de duas pessoas que são diferentes, que se amam porque diferentes, que permanecerão diferentes. Um se abre ao outro com suas diferenças, para enriquecer a vida e a história do outro. Tem gente que passa a vida inteira querendo que o seu cônjuge seja como ele (a).
Amar o outro significa sustentar o bem que há nele e viver, muitas vezes, o sacrifício de aceitá-lo como ele é. Amar torna possível viver como que uma estima prévia pelo outro, que nos faz aceitar seus limites e fraquezas.
Nesta convivência existem alguns pormenores que fazem a diferença. Existe um sinal inconfundível entre os que se amam de verdade, e é a dedicação de um ao outro.  Alguém único e irrepetível foi confiado a mim. A esta pessoa devo dedicar minha vida, meus esforços, meu ser.
Partilharemos um destino em comum, formaremos família, um tem que produzir vida no outro para que a plenitude da vida aconteça em seu lar.
Têm atitudes que se tornam como que combustíveis do amor, alimentam e fazem crescer o amor. Estas se traduzem nas palavras afetos e delicadezas. Um carinho a mais, uma atenção maior em determinados momentos, um gesto de delicadeza. Tudo isto conta e muito! A displicência, a falta de atenção, não podem se fazer presentes na vida de um casal. O cuidado para com o outro é fundamental. O outro precisa ser amado e o amor é muito concreto, muito palpável.
Já o inimigo principal do amor é o egoísmo. Uma pessoa centrada em si, individualista, que só pensa nos seus afazeres e satisfações, impossibilita a felicidade dos outros e, por tabela, se torna infeliz. Nossa vida é um chamado à comunhão e não ao isolamento. Fazer os outros felizes é dever de todos.
Outras duas palavras que não poderão faltar na arte de amar: paciência e perdão! A convivência humana exige isto. Temos que carregar no bolso essas palavras mágicas que transformam situações, corações e vidas!
Nós somos mistério para nós mesmos, como conhecer o outro sem restrições?
Surpreendemo-nos com nossos pensamentos e ações. Todos estamos em busca de um equilíbrio perfeito. Mas, isto não quer dizer que as imperfeições estejam superadas.
A paciência é sinal de força e poder. Esperar contra toda esperança é sinal de sabedoria. Por outro lado, ser misericordioso é carregar em si o distintivo do discípulo de Cristo. Não perdoar é, como dizem por aí, “beber veneno achando que o outro é que vai morrer”!
Como bem diz uma canção: “O lar é um lugar de viver e dialogar”. Não tenho dúvida de que o casal é o lugar do Amor no mundo, e se é o lugar do Amor, é o lugar de Deus! Precisamos honrar isto na prática de nossa vida, para a transformação de nossa história. Queridos casais, queridas famílias, estas palavras nascem de um coração que tem aprendido muito com tantos casais e famílias no atendimento e orientação. Desejo muito que o amor seja visto em cada lar! Que cada casa busque vivenciar o amor doação que nos torna mais gente, mais humanos, quase divinos!

http://www.diocese-sjc.org.br/a-arte-da-convivencia-familiar/