Dom Julio Endi Akamine
Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Lapa
15/08/2014
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Querido leitor do JORNAL
O SÃO PAULO, refletimos nas edições anteriores que no contexto cristão,
iniciação consiste no processo de admitir uma pessoa como membro da comunidade
eclesial, significa também tornar a pessoa capaz e idônea de viver como cristão
e de celebrar a Sagrada Liturgia. Iniciação à vida cristã é, portanto, um
processo em que uma pessoa se torna realmente cristã.
Este processo
é uma ação continuada e prolongada no tempo, consiste numa sequência de ações
(anúncio e catequese, diálogo e serviço, presença, testemunho e vida sacramental),
ações essas que apresentam unidade e coerência entre si em vista de um fim que
é o de fazer uma pessoa discípulo e missionário de Jesus Cristo.
A iniciação
cristã é um caminho formado por diversos elementos: o anúncio da Palavra de
Deus, o acolhimento do Evangelho, a conversão pessoal, a profissão de fé, o
batismo, a confirmação e a eucaristia.
Neste caminho a primeira
ajuda vem dos pais que apresentam os filhos para o batismo, que ensinam os
primeiros passos na fé, que os levam à missa dominical, os catequistas que
preparam para a Primeira comunhão e para a Confirmação, os padres que atendem
as confissões, os outros fiéis que rezam pelo iniciado para que seja um bom
testemunho de Jesus Cristo: todas essas pessoas nos introduziram no “ser cristão”.
Das
quatro etapas que compõe a iniciação cristã já refletimos o
pré-catecumenato (querigma) e a catequese
catecumenal, hoje gostaria de refletir a terceira
etapa: o período de purificação e iluminação e em outro momento a
quarta etapa: a mistagogia. Como podemos perceber, as etapas
pressupõem uma progressão rumo à maturidade na fé, uma caminhada feita de
crescimento e de passagens, uma educação da fé que vai gradativamente avançando
rumo à plena inserção na comunidade da Igreja.
Depois das duas primeiras
etapas, encerra-se o catecumenato propriamente dito e se dá início ao período
da purificação e da iluminação. É nesse momento que o catecúmeno declara diante
do bispo ou do seu representante o desejo e a decisão de se tornar cristão. O
bispo, então, ouvindo o testemunho dos padrinhos em favor do catecúmeno, acolhe
e o declara apto para uma preparação imediata aos sacramentos da iniciação
cristã.
Esse período de purificação e de iluminação é um tempo em
que se realça mais o cultivo da vida interior. O Catecúmeno procura purificar
seu coração e aprofundar a conversão pelo exame de consciência e pela
penitência e a sua iluminação por meio do conhecimento mais aprofundado de
cristo salvador. Tudo isto se faz por meio de vários ritos, sobretudo
pelos «escrutínios» e pelas «tradições».
O período de purificação e
de iluminação conduz imediatamente à celebração dos sacramentos da iniciação
cristã.
Assim na noite de páscoa os eleitos recebem os sacramentos do Batismo,
da Confirmação e da Eucaristia. Tendo recebido o perdão dos pecados, o
catecumeno é incorporado ao Povo de Deus, torna-se filho adotivo de Deus, é
introduzido pelo Espírito na prometida plenitude dos tempos e, pelo sacrifício
e refeição eucarística passa a viver, por antecipação, o Reino de Deus. (RICA,
21-26).
Artigo publicado no Jornal O São Paulo - 12/08/2014
