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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Para desenvolver a vida espiritual e de oração da criança

Como vimos a criança com menos de seis anos é naturalmente atraída pelo que é grande, tem o sentido do mistério, e uma grande faculdade de encantamento e de contemplação.
Estas disposições naturais passarão, em boa parte, depois da idade da razão; mas se forem desenvolvidas no tempo adequado, a criança guardará para toda a sua vida a riqueza profunda que desenvolveu.


Alguns meios para desenvolver a vida interior da criança:

O Cantinho da Oração
É um espaço cuidado para rezar que favorece a intimidade. Podemos tê-lo na família, na paróquia, na Instituição educativa. A criança vive com os adultos uma experiência afetiva e de relação com Deus, através da oração espontânea, do canto, de pequenas fórmulas como modo de louvar, agradecer e de pedir a Deus.

Antes de adormecer
Acompanhar a criança, que termina o seu dia, na presença de Deus é uma experiência que aprofunda a relação de afeto no seio da família e a relação com o Senhor.

A adoração do Santíssimo Sacramento
Visitar o Senhor no Sacrário ou na exposição do Santíssimo, permanecer em adoração por algum tempo é possível com crianças a partir dos 4 anos de idade. Há experiências que nos mostram como este modo de rezar é um bom início à vida de oração. A partir de um primeiro encontro as crianças vão por vezes sozinhas visitar Jesus na Eucaristia tal como fazia o Francisco em Fátima.

 

Os terços com crianças Pode-se começar com algumas Ave Maria, depois com a dezena. Não podemos esquecer que Nossa Senhora pediu a oração do Terço a crianças em Fátima.

Conclusão
As crianças são capazes de relação com Deus. Educar a criança para a oração é também educar para a fé, a esperança e amor, é educar para a paz e para a profunda harmonia interior, ajudando a que cresça nela a confiança no AMOR que não passa.

Fonte Bibliográfica: prierenfamille.com

DESPERTAR DA FÉ
Catequese do Patriarcado de Lisboa


EDUCAR PARA A ORAÇÃO


Antes de ser um ensinamento, a formação religiosa é antes de mais uma formação para a oração.
Como formar para a oração as crianças a partir dos dois - três meses? Principalmente pela oração: a oração não é primeiramente uma “formulação” uma recitação de formulas, mas é essencialmente uma vida de relação pessoal com Deus.
A criança pequenina que não sabe ainda falar, não vai pronunciar orações, mas ela é capaz de captar o “divino”.
“Ao ensinar à criança a arte da oração, estais a dar-lhe as primeiras noções religiosas fundamentais. Trata-se de a ensinar a rezar, não de a fazer recitar orações. É a oração que cria os primeiros contatos da criança com Deus, e a dispõe a acolher a ação do Espírito Santo. Ensiná-la a rezar é iniciá-la numa fé viva” (Mgr Chevrot).
É necessário que se crie um clima favorável que conduza ao silêncio, num quadro de calma e de recolhimento. A atitude orante do adulto educa para a oração.

É rezando que ensinamos as crianças a rezar

É a nossa própria vida de oração que envolve a criança, como que por osmose. Quanto mais esta vida for profunda, mais a criança se poderá impregnar do divino.
Daí a importância para o despertar da fé das nossas crianças, de termos nós mesmos uma vida real de oração. Será o motor da ação educativa na via da espiritualidade cristã.
Nesta fase etária, não é importante “explicar”, “ensinar-lhe” a religião, trata-se antes de lhe ensinar a viver sob o olhar de Deus, de se saber amada por Ele e de O amar como resposta.
É a oração que vai habituar a criança a viver na presença de Deus, a partir de algumas ideias muito simples, mas fundamentais.
Deus é grande, Deus é bom: Ele gosta de mim, ama-me.
Em resposta: Eu adoro-o, e para O amar, eu obedeço-lhe.
A criança pequenina é capaz de ir entendendo.
São estas as bases da vida interior para a criança e que podem ficar para sempre.


Dois aspectos importantes:
1 – Um elemento indispensável da oração é o silêncio e o recolhimento:
É no silêncio que a pessoa se pode encontrar com Deus.
Esta formação para o silêncio com os pequeninos a partir dos 3-4 anos é não somente possível mas muito favorável, para que criança cresça na profundidade do seu ser em relação.

2. Quanto mais pequenina for a criança, mais breve deve ser a oração. Curta, mas bela: sobretudo evitemos a linguagem de bebé… mesmo com os mais pequeninos! Diante de Deus não usemos infantilismos.
Não hesitemos em usar uma oração tirada dos salmos… O sentido de sagrado que o adulto dá à oração ajuda a criança a saborear o gosto do profundo e do essencial.

Particularidades psicológicas da criança pequenina no plano espiritual

  1. A criança sabe que é pequenina, mas é atraída pelo que é GRANDE.
  2. Ela possui uma faculdade de se maravilhar: a oração da criança é de natureza CONTEMPLATIVA. Podemos encaminhá-la para a dimensão de adoração.
  3. O sentido do MISTÉRIO – a criança vive a dimensão do mistério, ela tem realmente uma intuição profunda, por vezes surpreendente, das realidades invisíveis.

Mas há outros dados, de ordem física, que é necessário ter em conta para a oração dela:
- a criança tem um ritmo lento: é necessário respeitá-lo.
- a criança necessidade de se mexer de se movimentar:
Associar o corpo à oração é indispensável para educar a criança pequenina para a oração.
Temos de associar duas atitudes complementares: a imobilidade e o movimento.
A imobilidade: A oração pede uma disciplina; permanecer tranquilo para chegar ao silêncio indispensável à oração, em sinal de respeito, de adoração. Não se chega lá num instante, adquire-se pacientemente.
O movimento: A criança compreende agindo.
- Os gestos litúrgicos: o sinal da cruz, a genuflexão, bater no peito, levantar as mãos…
- Ou ainda, os gestos para acompanhar a oração, etapa provisória, que passará com o tempo, mas que ajuda a criança de 3-4 anos a memorizar as palavras da oração.



As etapas da vida espiritual da criança


Antes dos quinze meses: é tempo de osmose, é a oração dos pais que envolve a criança.

 15 meses: a criança já é capaz de uma oração formulada, mas curta.

 2 anos: a criança progride, já é capaz de sentir a presença de Deus, desperta para a adoração – reza-se com ela por todos os que amamos – diz obrigado. 

3 anos: desenvolvem-se as faculdades de admiração, que conduzem naturalmente à adoração. 

4-5 anos: a criança desta idade é facilmente contemplativa. É necessário, ainda, criar à volta dela as condições que favoreçam esta disposição fundamental, é necessário o enquadramento, silêncio e encorajamento a um início de oração silenciosa…
Alguns exemplos de santos crianças: Jacinta e Francisco, João Maria Vianet…
Nesta idade desenvolvem-se as grandes atitudes de oração: presença de Deus, adoração, atos de amor, ação de graças, confiança, louvor, pedido.
Estas grandes atitudes interiores da oração estão maravilhosamente presentes nos salmos, é por isso que não hesitaremos em introduzir as crianças na oração dos salmos mais simples e adequados à idade delas.

 Simultaneamente, a partir dos 3-4 anos, a oração da noite pode comportar o exame do dia, base do exame de consciência.
- pelo que fizemos de bem, agradecer a Deus;
- pelo que foi mal, pede-se perdão de ter sido “mau” (por este termo engloba-se também a desobediência ou todo o tipo de capricho…)

Por volta dos 7 anos, a faculdade da contemplação vai dar lugar, progressivamente, a uma oração mais “pensada”, mais “construída”. Mas a oração da criança ficará ainda por algum tempo, meditativa, numa atitude de confiança e de admiração.

 Será bom então variar a oração, de serem as crianças a prepará-la, cada um por sua vez. O importante será de evitar a monotonia e a rotina.


http://www.abcdacatequese.com/index.php/partilha/recursos/catequese/despertar-religioso-pre-catequese/5075-despertar-da-fe-educar-para-a-oracao