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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Humildade uma virtude esquecida

artigo padre luis fernando soaresUm famoso pintor de retratos disse que jamais encontrou uma pessoa que, enquanto “pousasse” para ser retratada, não estivesse constantemente a falar de si. É lógico que é um desejo inconsciente de impressionar o artista com a própria importância para que ele pudesse, quem sabe, colocar na tela a sua “alma”. É, porém, mais provável que o hábito do egoísmo já esteja tão profundamente enraizado, que o autoelogio seja automático e se exiba em qualquer lugar e diante de qualquer pessoa.

Os indivíduos ricos, talvez sejam os mais “exibidos” embora inconscientemente. Confundindo o “ter” com o “ser”, pensam eles que, desde que possuam bens materiais, são necessariamente grandes e importantes. Pessoas assim, dominadas pelo orgulho e pela presunção, estão mais sujeitas aos aborrecimentos e à ansiedade do que aqueles que não o são, pois toda e qualquer dificuldade, por pequena que seja, fere profundamente a sua sensibilidade doentia. Nada contribui tanto para o egoísmo, o orgulho, a vaidade, o amor próprio do que o complexo de inferioridade. Se, com o fim de esconder em si mesmo os seus medos e complexos o indivíduo pisa seus semelhantes para tomar o seu lugar, torna-se prisioneiro de um egoísmo que podemos dizer que é satânico. Dominado pelo mal, seu comportamento egoísta e competitivo torna-se o modelo de seu comportamento diário: depreciação dos esforços dos outros, excessiva sensibilidade para qualquer ofensa pessoal e dureza para com os sentimentos dos outros. Nos discursos modernos raras vezes se pronuncia ou se observa a palavra e a virtude da humildade, basta ver os “viva eu” dos políticos, que raramente reconhecem os feitos e os valores dos adversários. A humildade não é autodepreciação, pois um artista talentoso não pode negar que sabe cantar bem.
Humildade é ver-se a si próprio tal como é, e não como pensa que é, nem como o público crê que ele seja, ou como as notícias da imprensa o descrevem. O homem humilde não fica abatido perante as censuras ou indiferenças dos outros. A pessoa verdadeiramente humilde sabe perdoar e pedir perdão. A humildade não corre atrás de elogios, honrarias e aprovação. O elogio deixa o homem humilde constrangido, ele sabe que quaisquer dons que possua foi Deus que lhe deu. Ele recebe o reconhecimento tal como uma janela recebe a luz. O homem realmente humilde, embora seja importante, desde que possua esta virtude, não sopra as trombetas da fama, não solicita lisonjas, não pousa de “santinho” na imprensa e não faz alarde de sua própria honestidade, se é que a possui.
A humildade é caminho aberto para o conhecimento. Jamais o cientista teria descoberto os segredos do átomo se, na sua vaidade, ele dissesse ao átomo o que pensava que ele deveria fazer; mas apenas por aceitar a sua verdade.
Somente os humildes chegam ao conhecimento da verdade. Muitos não aceitam, por exemplo, a fé, porque o orgulho, os impede de aceitar aquilo que não podem explicar ou controlar. Somente os espíritos dóceis podem amar de verdade o seu próximo. O orgulho torna o homem insolúvel e, portanto, impede a sua fusão com os outros.
A humildade, pelo contrário, devido à sua receptividade básica para o bem do próximo, permite-lhe a possibilidade de receber as alegrias da união com Deus.
Eis porque Jesus sugere que os doutores voltem a ser crianças.
Padre Luís Fernando SoaresPároco da Paróquia Espírito Santo, Jardim Satélite

http://www.diocese-sjc.org.br/humildade-uma-virtude-esquecida/