Liturgia
Diária Comentada 04/05/2014
3º
Domingo da Páscoa- 3ª Semana do Saltério
Prefácio
pascal - Ofício dominical pascal
Glória
e Creio
Cor:
Branco - Ano Litúrgico “A” - São Mateus
Antífona:
Salmo 90,15-16 - Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei
com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei
longos dias.
Oração
do Dia: Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta
Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e
corresponder a seu amor por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!
LEITURAS:
Primeira
Leitura: At. 2,14.22-33 Não era possível que a morte o dominasse
No
dia de Pentecostes, Pedro de pé, junto com os onze apóstolos,
levantou a voz e falou à multidão: “Homens de Israel, escutai
estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus,
junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou,
por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis.
Deus,
em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue
pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. Mas
Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte,
porque não era possível que ela o dominasse. Pois Davi dele
diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha
direita para eu não vacilar. Alegrou-se por isso meu coração e
exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança.
Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás
que teu Santo experimente corrupção. Deste-me a conhecer os
caminhos da vida, e a tua presença me encherá de alegria’.
Irmãos,
seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e
foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. Mas, sendo
profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus
descendentes ocuparia o trono. É, portanto, a ressurreição de
Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi
abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a
corrupção’.
Com
efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos
testemunhas. E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o
Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como
estais vendo e ouvindo” - Palavra do Senhor.
Comentando
a Liturgia: A primeira leitura apresenta o “querigma”
apostólico, o anúncio – no discurso de Pedro em Pentecostes –
da ressurreição de Jesus e de sua vitória sobre a morte. É o
protótipo da pregação apostólica. Suprimida a introdução do
discurso, por ser a leitura de Pentecostes (At 2,15-21), a leitura de
hoje se inicia com o v. 22, anunciando que o profeta rejeitado
ressuscitou, cumprindo as Escrituras (Sl 16[15],8-10).
Não
se trata de ver aí uma realização “ao pé da letra”, mas de
reconhecer nas Escrituras antigas a maneira de agir de Deus desde
sempre, a qual se realiza num sentido “pleno” em Jesus Cristo. Ou
melhor: naquilo que se vê em Jesus, aparece o sentido profundo e
escondido das antigas Escrituras.
O
importante nesse querigma é o anúncio da ressurreição como sinal
de que Deus “homologou” a obra de Jesus e lhe deu razão contra
tudo e todos. Isso é atestado não só por testemunhas humanas, mas
também pelo testemunho de Deus mesmo, na Escritura.
O
Salmo 16[15], por exemplo, originalmente a prece de quem sabe que
Deus não o entregará à morte, encontra em Cristo sua realização
plena e inesperada. Esse salmo é também o salmo responsorial de
hoje e terá de ser devidamente valorizado.
Salmo: 15(16),1-2a.5.7-8.9-10.11
Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto de vós felicidade
sem limites!
Guardai-me,
ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: "Somente vós
sois meu Senhor: nenhum bem eu posso achar fora de vós!" Ó
Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro
em vossas mãos!
Eu
bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me adverte o
coração. Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a
meu lado não vacilo.
Eis
por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria,
e até meu corpo no repouso está tranqüilo; pois não haveis de me
deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção.
Vós
me ensinais vosso caminho para a vida junto a vós, felicidade sem
limites,/ delícia eterna e alegria ao vosso lado!
Segunda
Leitura: 1Pd. 1,17-21 Fostes resgatados pelo precioso sangue de
Cristo, cordeiro sem mancha.
Caríssimos,
se invocais como Pai aquele que sem discriminação julga a cada um
de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante
o tempo de vossa migração neste mundo. Sabeis que fostes resgatados
da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas
perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de
Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito.
Antes
da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos
tempos, ele apareceu, por amor de vós. Por ele é que alcançastes a
fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e
assim, a vossa fé e esperança estão em Deus - Palavra
do Senhor.
Comentando
a Liturgia: Na segunda leitura, continua a leitura da 1Pd
iniciada no domingo passado. Jesus Cristo é visto como aquele que
nos conduz a Deus. Sua morte nos remiu de um obsoleto modo de viver.
Por meio de Cristo, ou seja, quando reconhecemos e assumimos a
validade do seu modo de viver e de morrer, chegamos a crer
verdadeiramente em Deus e conhecemos Deus como aquele que ressuscita
Jesus, aquele que dá razão a Jesus e “endossa” a sua obra. Isso
modifica nossa vida.
Desde
o nosso batismo, chamamos a Deus de Pai; mas ele é também o Santo
que nos chama à santidade (1Pd 1,16; cf. Lv 19,2). O sacrifício de
Cristo, Cordeiro pascal, obriga-nos à santidade. Os últimos
versículos desta leitura (v. 19-21) constituem uma profissão de fé
no Cristo, que desde sempre está com Deus: ele nos fez ver como Deus
verdadeiramente é, e por isso podemos acreditar que Deus nos ama.
Evangelho
segundo Lucas 24,13-35 Reconheceram-no ao partir o pão
Naquele
mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam
para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de
Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.
Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e
começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como
que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: "O que
ides conversando pelo caminho?" Eles pararam, com o rosto
triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: "Tu és o único
peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes
últimos dias?"
Ele
perguntou: "O que foi?" Os discípulos responderam: "O
que aconteceu com Jesus, o nazareno, que foi um profeta poderoso em
obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos
sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à
morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar
Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas
coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo
nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não
encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto
anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos
foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham
dito. A ele, porém, ninguém o viu".
Então
Jesus lhes disse: "Como sois sem inteligência e lentos para
crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia
sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" E, começando por
Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as
passagens da escritura que falavam a respeito dele.
Quando
chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia
mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: "Fica
conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus entrou
para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão,
abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.
Nisso
os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus,
porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: "Não
estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho,
e nos explicava as escrituras?" Naquela mesma hora, eles se
levantaram e voltaram. para Jerusalém onde encontraram os onze
reunidos com os outros. E estes confirmaram: "Realmente, o
Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" Então os dois contaram
o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao
partir o pão - Palavra da Salvação.
Comentando
o Evangelho: O evangelho é preparado pela aclamação, que
evoca o ardor dos discípulos ao escutar a palavra de Deus (cf. Lc
24,32). Trata-se da narrativa dos discípulos de Emaús (lida também
na missa da tarde no domingo da Páscoa). A homilia pode sublinhar
diversos aspectos.
1)
“Não era necessário que o Cristo padecesse tudo isso para entrar
na glória?” (Lc 24,26). Cabe parar um momento junto ao termo “o
Cristo”. Não é apenas de Jesus como pessoa que se trata, mas de
Jesus enquanto Cristo, Messias, libertador e salvador enviado e
autorizado por Deus. Não se trata apenas de reconhecer a vontade
divina a respeito de um homem piedoso, mas do modo de proceder de
Deus no envio de seu representante, o “Filho do homem” revestido
de sua autoridade (cf. Dn 7,13-14), que deve levar a termo o caminho
do sofrimento e da doação da vida (cf. Lc 9,22.31).
2)
Jesus “lhes explicou, em todas as Escrituras, o que estava escrito
a seu respeito” (Lc 24,27). Em continuidade com a primeira leitura,
podemos explicitar o tema do cumprimento das Escrituras. As
Escrituras fazem compreender o teor divino do agir de Jesus. Enquanto
os discípulos de Emaús estavam decepcionados a respeito de Jesus,
fica claro agora que, apesar da aparência contrária, Jesus agiu
certo e realizou o projeto de Deus. As Escrituras testemunham isso.
Jesus assumiu e levou a termo a maneira de ver e de sentir de Deus
que, embora de modo escondido, está representada nas antigas
Escrituras. Ele assumiu a linha fundamental da experiência religiosa
de Israel e a levou à perfeição, por assim dizer. Mas só foi
possível entender isso depois de ele ter concluído a sua missão.
Só à luz da Páscoa foi possível que as Escrituras se abrissem
para os discípulos (cf. também Jo 20,9; 12,16).
3)
Reconheceram-no ao partir o pão (cf. Lc 24,31 e 35). A experiência
de Emaús nos faz reconhecer Cristo na celebração do pão
repartido. Na “última ceia”, o repartir o pão fora
reinterpretado, “ressignificado”, pelo próprio Jesus como dom de
sua vida pelos seus e pela multidão (Lc 22,19); e à comunhão do
cálice que acompanhava esse gesto, Jesus lhe dera o sentido de
celebração da nova e eterna aliança (Lc 22,20). Assim puderam
reconhecê-lo ao partir do pão. Mas o gesto de Jesus na casa dos
discípulos significava também a rememoração do gesto fundador que
fora a Última Ceia, a primeira ceia da nova aliança. Desde então,
esse gesto se renova constantemente e recebe de cada momento
histórico significações novas e atuais. Que significa “partir o
pão” hoje? Não é apenas o gesto eucarístico; é também o
repartir o pão no dia a dia, o pão do fruto do trabalho, da
cultura, da educação, da saúde... Os discípulos de Emaús,
decerto, não pensavam num mero rito “religioso”, mas em
solidariedade humana. Ao convidarem Jesus, não pensaram numa
celebração ritual, mas num gesto de solidariedade humana: que o
“peregrino” pudesse restaurar as forças e descansar, sem ter de
enfrentar o perigo de uma caminhada noturna. O repartir o pão de
Jesus é situado na comunhão fraterna da vida cotidiana. Esse é o
“aporte” humano que Jesus ressignifica, chamando à memória o
dom de sua vida.
INTENÇÕES
PARA O MÊS DE MAIO:
Intenção
Universal: Meios de comunicação - Para que os
meios de comunicação sejam instrumentos ao serviço da verdade e da
paz.
Intenção
para a Evangelização: Maria
guia para a missão - Para
que Maria, Estrela da Evangelização, guie a missão da Igreja no
anúncio de Cristo a todos os povos.
TEMPO
LITÚRGICO:
Tempo
Pascal: Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição
e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação,
como se fossem um só dia de festa, ou melhor, “como um grande
Domingo” (Santo Atanásio; conforme NALC 22).
Os
Domingos deste tempo sejam tidos como Domingos da Páscoa e, depois
do Domingo da Ressurreição, sejam chamados 2º, 3º, 4º, 5º, 6º
e 7º Domingos da Páscoa. Os oito primeiros dias do Tempo Pascal
formam a Oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do
Senhor (NALC 24). O oitavo dia é constituído pelo domingo seguinte
a Páscoa. A oitava da Páscoa tem precedência sobre quaisquer
outras celebrações.
Qualquer
solenidade que coincida com um dos domingos da Páscoa tem sua
celebração antecipada para o sábado; se, porém, ocorrer durante a
oitava da Páscoa, fica transferida para o primeiro dia livre que se
seguir a oitava. As festas celebram-se segundo a data do calendário;
quando ocorrerem em domingo do Tempo Pascal, omitem-se nesse ano.
Diz-se
o Glória durante a Oitava da Páscoa, nas solenidades e festas, já
o Credo só nas solenidades. O Círio Pascal permanece junto ao altar
por todo o Tempo Pascal, isto é, da noite de Páscoa ao Domingo de
Pentecostes, e acende-se em todas as Missas dominicais.
O
Domingo de Pentecostes encerra este tempo sagrado de cinquenta dias
(NALC 23). No Brasil, celebra-se no 7º Domingo da Páscoa e
solenidade da Ascensão do Senhor.
Cor
Litúrgica: BRANCO - Simboliza a alegria cristã e o Cristo
vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes
solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais
especificamente, o dourado.
Fique
com Deus e sob a proteção da Sagrada Família
Ricardo
Feitosa e Marta Lúcia
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– catolicoscomjesus@gmail.com
Crendo
e ensinando o que crê e ensina a Santa Igreja Católica
Comentários:
Padre Johan
Konings, sj, Vida Pastoral, n.278, Paulus
Fonte:
CNBB / Missal Cotidiano