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sexta-feira, 30 de maio de 2014

A identidade e a originalidade da Iniciação Cristã

Dando continuidade ao tema da Iniciação Cristã, refletiremos sobre o conceito de Iniciação e qual a originalidade da Iniciação Cristã. Já pensamos sobre isso? Não apenas a religião católica realiza um processo de Iniciação. Ele está presente em muitas expressões religiosas e, como conceito e identidade, tem muitas semelhanças. Vejamos juntos um pouco deste saber para nos ajudar a caminhar em nossos processos de Iniciação Cristã.


Os processos de iniciação, nas muitas expressões religiosas, demarcam uma etapa: de introdução progressiva no caminho religioso, aprendendo passo a passo a dinâmica própria da religião.  O termo ‘iniciação’ deriva do latim in-eo, do initium, que significa ‘entrar dentro’. Remete-nos, portanto, aos ritos através dos quais a pessoa “entra” na comunidade e passa a participar da dinâmica religiosa na qual outras pessoas já participam.

Um importante estudioso das religiões, Mircea Eliade, afirma que a iniciação é um fundamento para a humanização. Ele diz: “para fazer-se humano é necessário assumir as dimensões da existência humana”. Ele está se referindo à importância dos ritos de passagem, como nascimentos, crises, novos nascimentos, enfim, estágios de reelaboração existencial. Ao longo deste processo, a pessoa vai configurando seu ser, suas escolhas, sua orientação existencial. Além disso, os ritos acontecem dentro das comunidades. Tornam-se experiências pessoais e comunitárias, conferindo identidade ao iniciado e à comunidade, numa relação de comunicação e comunhão fecundas.

Podemos observar que, em muitas famílias e comunidades, nem sempre os ritos de iniciação estão presentes. Há uma crise nos processos iniciáticos, uma desvalorização dos símbolos, das tradições. Esta crise compromete a identidade pessoal e a pertença comunitária. Ou seja, a configuração da pessoa, sua identidade, sua elaboração existencial e sua pertença familiar, comunitária, social, também sofrem com esta crise. É comum encontrarmos pessoas que, mesmo na fase adulta, ainda não se compreendem, não fazem as escolhas fundamentais, não sabem como orientar sua vida, não participam da vida familiar nem comunitária, não se envolvem com as questões coletivas.

Retomando para nosso caminho prioritário, a Iniciação Cristã, também aqui podemos perceber a necessidade do resgate dos processos que conduzirão a pessoa a tornar-se humana, cristã, vivendo como filha de Deus e dando testemunho desta identidade em sua comunidade de pertença e na humanidade. Na Igreja antiga, dos séculos III e IV, compreendia-se que ‘tornar-se cristão’ é um caminho, como uma progressiva introdução à vida nova revelada e oferecida em Jesus Cristo. É Tertuliano, padre da Igreja no século III quem nos fala desta sabedoria que animou a ação missionária e pastoral da Igreja dos primeiros tempos e deve nos animar ainda hoje: “Fiunt non nascuntur christiani” – não se nasce cristão, chega-se a ser”.

A Iniciação Cristã não acontece de forma repentina ou de uma vez, como se todo o caminho de seguimento de Jesus pudesse ser experimentado e apreendido em uma única etapa. A comunidade cristã, Povo de Deus a caminho, persevera no diálogo com Deus, procurando ser atenta e se deixar conduzir por este encontro por toda a trajetória da humanidade. Assim é também para as pessoas e para as comunidades de nosso tempo.

A fé não é adquirida automaticamente. Demanda um processo, uma aprendizagem prolongada e identificadora, um itinerário marcado pela iniciação. É um caminho mistagógico, é entrada no mistério de Deus, sem deixar de viver a existência humana.

Neste itinerário gostaríamos de destacar duas dimensões essenciais: o caminho pessoal e a experiência comunitária. As duas dimensões estão ligadas e afetam-se mutuamente. Não são caminhadas distintas ou em etapas sucessivas, como muitas vezes são avaliadas e desenvolvidas pastoralmente. A iniciação se dá na comunidade e não fora dela. A comunidade religiosa é uma comunidade de iniciados que caminham juntos, e assim procedem na escuta dos textos sagrados e na sua hermenêutica.

Dionisio Borobio, um renomado orientador dos processos de catequese, nos diz que o próprio termo ‘iniciação’ indica quatro elementos constitutivos deste processo e que dialogam entre si:
1.       O mistério - algo que deve ser conhecido, uma realidade de caráter transcendente, à qual se adentra e da qual se torna participante;
2.       A mediação - o meio de comunicação, um conjunto de símbolos, que é a ponte entre o mistério e os que serão iniciados;
3.       Os iniciados no mistério - um grupo com agentes de iniciação que orientem o processo;
4.       O iniciante - alguém que não está iniciado e se abre para essa experiência.

Estes elementos não possuem hierarquia ou ordem de desenvolvimento na iniciação religiosa, mas estabelecem uma relação dialógica permanente e processual. E qual a originalidade destes elementos na Iniciação Cristã? Vejamos quais são e o que possuem de específico e também de interdependência entre eles.  

No caso da Iniciação Cristã estes elementos são identificados como:
1.       O mistério Pascal e seus conteúdos bíblicos e vivenciais;
2.       Os ritos e celebrações sacramentais;
3.       A comunidade eclesial e o mistagogo/catequista;
4.       O neófito/ iniciante.

Não deixemos de observar o ponto de encontro fundamental: o princípio, o meio e o fim da Iniciação Cristã coincidem, é a participação no mistério pascal de Cristo. Essa é sua principal característica, diríamos, seu eixo e motor único. O mistério pascal de Cristo não é um elemento mítico, nem mesmo uma doutrina ou uma construção científica, religiosa ou ideológica, mas é uma pessoa.

Os ritos são também mediações na Iniciação Cristã, mas não são simplesmente um conjunto de símbolos, e também não são estratégias pedagógicas. São ritos sacramentais.

Com relação à comunidade dos iniciados, o espaço vital é a Igreja, sacramento de Jesus Cristo no mundo. A comunidade eclesial deve ser uma presença sacramental ativa, decisiva para a Iniciação Cristã. Nela, o neófito e a comunidade experimentam a força renovadora de Cristo ressuscitado e do Espírito que faz novas todas as coisas.

Essa comunhão eclesial tem caráter mistagógico, no entanto, há pessoas que assumem especialmente esta missão, orientando a iniciação cristã. São os mistagogos da comunidade. São aqueles que assumem pessoalmente a tarefa de conduzir pela mão o catecúmeno, para que descubra sua forma pessoal de seguir ao Senhor.

O sujeito da Iniciação Cristã é a pessoa humana. É uma experiência pessoal, relacional e livre. A iniciativa vem de Deus mesmo, de sua misteriosa ação na vida de cada ser humano. O neófito deve ser acolhido pessoalmente, no que tem de particular, de especial. O mistagogo vai conduzir uma experiência de fé, de confiança, de entrega, que respeite o processo pessoal.

Como vimos, a Iniciação Cristã é processo experimentado não apenas por cada iniciante, mas por toda a comunidade a caminho. A comunidade evangeliza e é evangelizada, participa da trajetória do seguimento de Jesus e torna-se testemunha da mesma fé. Esta experiência renova os laços de fraternidade e de comunhão na comunidade e, ao mesmo tempo, realiza nela o mandado missionário, do qual se torna testemunha de uma reflexão amadurecida e de edificação do Reino de Deus. 

Para refletir:
1.       Qual a importância dos ritos de Iniciação para as pessoas e para a sociedade?
2.       Qual a originalidade da Iniciação Cristã?
Como podemos articular os 4 elementos da Iniciação Cristã: o mistério Pascal, os ritos e celebrações, a comunidade e os mistagogos e os iniciantes?

Fonte: http://www.cnbb.org.br/component/docman/cat_view/236-liturgia-em-mutirao-iii

"A catequese não prepara simplesmente para este ou aquele sacramento. O sacramento é uma consequência de uma adesão a proposta do Reino, vivida na Igreja (DNC 50)."

Documento Necessário para o Batismo e Crisma

Certidão de Nascimento ou Casamento do Batizando;

Comprovante de Casamento Civil e Religioso dos padrinhos;

Comprovante de Residência,

Cartões de encontro de Batismo dos padrinhos;

Documentos Necessários para Crisma:

RG do Crismando e Padrinho, Declaração de batismo do Crismando, Certidão ou declaração do Crisma do Padrinho, Certidão de Casamento Civil e Religioso do Padrinho/Madrinha e Crismando se casados.

Fonte: Catedral São Dimas

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Reflexão

REFLEXÃO

A porta larga que o mundo oferece para as pessoas é a busca da felicidade a partir do acúmulo de bens e de riquezas. A porta estreita é aquela dos que colocam somente em Deus a causa da própria felicidade e procuram encontrar em Deus o sentido para a sua vida. De fato, muitas pessoas falam de Deus e praticam atos religiosos, porém suas vidas são marcadas pelo interesse material, sendo que até mesmo a religião se torna um meio para o maior crescimento material, seja através da busca da projeção da própria pessoa através da instituição religiosa, seja por meio de orações que são muito mais petições relacionadas com o mundo da matéria do que um encontro pessoal com o Deus vivo e verdadeiro. Passar pela porta estreita significa assumir que Deus é o centro da nossa vida.

reflexão sobre o Dízimo

A espiritualidade do Dízimo

O dízimo carrega uma surpreendente alegria no contribuinte. Aqueles que se devotam a esta causa se sentem mais animados, confortados e motivados para viver a comunhão. O dízimo, certamente, não é uma questão de dinheiro contrariando o que muitos podem pensar. Ele só tem sentido quando nasce de uma proposta para se fazer a experiência de Deus na vida cristã. Somos chamados e convocados a este desafio.

Em caso contrario, ele se torna frio e distante; por vezes indiferente. A espiritualidade reequilibra os desafios que o dízimo carrega em si. "Honra o Senhor com tua riqueza. Com as primícias de teus rendimentos. Os teus celeiros se encherão de trigo. Teus lagares transbordarão de vinho" (Pr 3,9-10). Contribuir quando se tem de sobra, de certa forma, não é muito dispendioso e difícil. Participar da comunhão alinha o desafio do dízimo cristão.

Se desejar ler, aceno: Gn 28, 20-22; Lv 27, 30-32; Nm 18, 25-26 e Ml 3, 6-10.

Fonte : Pe. Jerônimo Gasques

http://www.portalnexo.com.br/Conteudo/?p=conteudo&CodConteudo=12

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