De uns tempos para cá, principalmente o
pessoal da catequese, apareceu como a “novidade” de uma tal “iniciação à vida
cristã”. Mas será que isso é mesmo invenção deles e que é tão novidade assim?
Afinal, até nas atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no
Brasil (DGAE) os nossos Bispos afirmam que a iniciação à vida cristã é uma
urgência a ser assumida por toda a Igreja para bem conseguirmos realizar nossa
missão de evangelizar.
O assunto parece novidade porque a
grande maioria dos que participam hoje da Igreja passou tanto pelo processo
iniciatório como pelos sacramentos da iniciação sem nem se darem conta do que
estavam vivenciando. De fato, aqueles que já têm uma certa idade ainda se
lembram da época em que a família e a sociedade em geral eram marcadas por um
modo cristão de ver e encarar o mundo. Parecia até que todos eram católicos.
Bem, pelo menos a grande maioria era batizada! A religião ia sendo aprendida
pela criança, tanto na família como na própria sociedade. Era assim que, mesmo
sem perceber, as pessoas iam sendo iniciadas na vida cristã. Depois, quando já
estava na hora de fazer a 1ª Comunhão, ia-se para a catequese para aprofundar
muitas daquelas coisas que já se tinham aprendido em casa e em vários ambientes
que frequentava.
Mas, graças a Deus, o tempo não para,
não é mesmo? E é fácil constatar que aquele tempo já passou! Agora, mais do que
buscar refúgio no saudosismo, temos que ter a consciência de estarmos vivendo
uma verdadeira “mudança de época”. Em relação há poucos anos atrás, hoje nós
nos encontramos diante de mudanças radicais que estão afetando profundamente o
significado da vida e que vão modificando o modo como a gente deve encará-la.
Muitas vezes nos sentimos até meio perdidos, sem nem saber mais quais critérios
podem ser usados para captar, compreender e julgar o que se apresenta diante de
nós.
Entre outras coisas, hoje nos
encontramos num mundo marcado por uma grande variedade de escolhas e isso
acontece até mesmo no campo religioso. A maioria das famílias e a sociedade em
geral deixaram de ser referências seguras para a fé cristã. Aos jovens e
adultos de hoje, são oferecidas, de forma atraente e convicta, as mais variadas
oportunidades de escolha tanto no campo da fé, como nos mais diferentes setores
da vida. Assim, a nós, católicos, resta constatarmos algo que tínhamos
esquecido: ninguém nasce cristão! Na realidade, para ser um autêntico seguidor
de Jesus Cristo, primeiro é necessário conhecê-lo e, depois, fazer uma opção
consciente pela sua proposta de vida!
Portanto, mais do que censurar os dias
de hoje, marcados por tanto individualismo e relativismo, temos que saber ver a
atual “mudança de época” como uma grande oportunidade da Igreja de poder
evangelizar com mais qualidade e entusiasmo. Precisamos aproveitar esse tempo
de graça e fazer acontecer essa urgência da ação evangelizadora, que é a
realização de um processo consistente de Iniciação à Vida Cristã.
Por esses e outros motivos, acho que
ainda temos muito para conversar sobre esse assunto...
Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário
Postado por Bíblia e Catequese