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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Não sou o Messias

Dom José Alberto Moura

Não sou o Messias

Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo de Montes Claros (MG)

João, o Batizador, colocou-se no seu devido lugar, preparando seus ouvintes e seguidores para seguirem o Salvador. Por sua liderança, poderia encher-se de soberba e fazer discípulos para si mesmo. Sua grandeza está justamente na sua vida de resposta a Deus para executar a missão que lhe fora confiada. Não extrapolou sua tarefa. Convenceu a muitos a aderirem a Jesus e terem vida com Ele (Cf. João 1-28).

Muitas lideranças em nosso meio parece extrapolarem sua missão, chamando discípulos para si e usando dos cargos para tirarem vantagens pessoais, nas áreas econômicas, religiosas, políticas, midiáticas e sociais. Formam-se até, na sociedade, a cultura e o culto à personalidade e o coronelismo para favorecimento de elites inescrupulosas. Estas usam de lideranças para o benefício perenizado de seus interesses mesquinhos, em detrimento do bem de maiorias e dos excluídos.
Aceitar ser missionário de Jesus é convencer-se de que Ele é a razão da missão; não veio tirar vantagem de sua liderança. Poderia fazê-lo, mas não precisava disso. Veio servir e não ser servido. Se Ele o realizou, na maior humildade e desprendimento, muito mais deve imitá-lo quem lidera e tem cargos de serviço ao bem comum! Uma coisa é preciso, porém, ser bem ressaltada: quem escolhe lideranças tem que fazê-lo com inteligência e sensibilidade ao bem da comunidade, dos grupos e da sociedade. Ao contrário, está se deixando seduzir por interesses de atrelamento a lideranças inescrupulosas. Nessa direção, somos todos responsáveis por mudança no modo de escolhas, inclusive no âmbito político, colaborando com as reformas necessárias a um melhor encaminhamento ao bem da sociedade. A corrupção só é combatida e erradicada com a consciência de seguirmos quem realmente trabalha pelo serviço altruísta à sociedade, com especial atenção aos que são deixados de lado da vida digna.
O Messias é identificado com quem está na situação de maior carência na vida comunitária e social. O próprio Jesus reconhece que se faz algo por Ele quando se trata o mais necessitado por amor a Ele. Somos, então, instrumento de serviço aos mais frágeis. Por isso, tudo devemos fazer para realizar o que Deus nos pede. Nossa vida só tem sentido para amar e fazer o bem. Priorizar as coisas materiais e o bem estar sensível, buscando-os como finalidade de vida, coloca-nos como sendo nós mesmos o “Messias”.
O tempo do Advento nos é propício para a reorientação de nossa vida em vista de acertarmos nossos passos com os do verdadeiro Messias. Ele mesmo vai à nossa frente, dizendo-nos que o maior é quem se torna o melhor servidor do semelhante. As virtudes da verdade, da humildade, do altruísmo, da justiça, do diálogo e da caridade nos enchem de alegria, utilizando-as para uma convivência de mais tranqüilidade e harmonia com o semelhante. Isto nos faz mais solidários e fraternos na família, na comunidade e na sociedade. Então o Natal se torna a aceitação do verdadeiro Messias.