Prefácio
da Quaresma I - Ofício do dia do Tempo da Quaresma
Cor:
Roxo - Ano Litúrgico “A” - São Mateus
Antífona: Salmo
55,2 Tende piedade de mim, Senhor, pois me atormentam; todos os dias
me oprimem os agressores.
Oração
do Dia: Ó Deus, que pela vossa graça inefável nos
enriqueceis de todos os bens, concedei-nos passar da antiga à nova
vida, preparando-nos assim para o reino da glória. Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Profecia de Daniel 13,1-9.15-17.19-30.33-62 Estou
condenada a morrer, quando nada fiz
Naqueles
dias: Na Babilônia vivia um homem chamado Joaquim. Estava
casado com uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, que
era muito bonita e temente a Deus. Também os pais dela eram
pessoas justas e tinham educado a filha de acordo com a
lei de Moisés. Joaquim era muito rico e possuía um pomar
junto à sua casa. Muitos judeus costumavam visitá-lo, pois
era o mais respeitado de todos.
Ora,
naquele ano, tinham sido nomeados juízes dois anciãos do
povo, a respeito dos quais o Senhor havia dito: Da
Babilônia brotou a maldade de anciãos-juízes, que passavam
por condutores do povo. Eles frequentavam a casa de Joaquim, e
todos os que tinham alguma questão se dirigiam a eles.Ora,
pelo meio-dia, quando o povo se dispersava, Susana costumava
entrar e passear no pomar de seu marido.
Os
dois anciãos viam-na todos os dias entrar e passear, e
acabaram por se apaixonar por ela. Ficaram desnorteados, a
ponto de desviarem os olhos para não olharem para o céu, e
se esqueceram dos seus justos julgamentos. Assim, enquanto os
dois estavam à espera de uma ocasião favorável, certo
dia, Susana entrou no pomar como de costume, acompanhada apenas
por duas empregadas. E sentiu vontade de tomar banho, por
causa do calor. Não havia ali ninguém, exceto os dois
velhos que estavam escondidos, e a espreitavam.
Então
ela disse às empregadas: Por
favor, ide buscar-me óleo e perfumes e
trancai as portas do pomar, para que eu possa tomar
banho. Apenas
as empregadas tinham saído, os
dois velhos levantaram-se e correram para Susana,
dizendo: Olha,
as portas do pomar estão trancadas e
ninguém nos está vendo. Estamos
apaixonados por ti: concorda
conosco e entrega-te a nós!Caso contrário, deporemos contra
ti, que um moço esteve aqui, e
que foi por isso que
mandaste embora as empregadas.
Gemeu
Susana, dizendo: Estou cercada de todos os lados! Se eu
fizer isto, espera-me a morte; e, se não o fizer, também
não escaparei das vossas mãos;mas é melhor para mim, não o
fazendo, cair nas vossas mãos do que pecar diante do
Senhor! Então ela pôs-se a gritar em alta voz, mas
também os dois velhos gritaram contra ela. Um deles correu
para as portas do pomar e as abriu.As pessoas da casa ouviram a
gritaria no pomar e precipitaram-se pela porta do fundo, para
ver o que estava acontecendo, Quando os velhos apresentaram sua
versão dos fatos, os empregados ficaram muito
constrangidos, porque jamais se dissera coisa semelhante a
respeito de Susana.
No
dia seguinte, o
povo veio reunir-se em casa de Joaquim, seu marido. Os
dois anciãos vieram também, com
a intenção criminosa de
conseguir sua condenação à morte. Por
isso, assim falaram ao povo reunido: Mandai
chamar Susana, filha
de Helcias, mulher de Joaquim! E
foram chamá-la. Ela
compareceu em companhia dos pais, dos
filhos e de todos os seus parentes.Os que estavam com ela e
todos os que a viam, choravam.
Os
dois velhos levantaram-se no meio do povo e puseram as mãos
sobre a cabeça de Susana. Ela, entre lágrimas, olhou para o
céu, pois seu coração tinha confiança no
Senhor. Entretanto, os dois anciãos deram este
depoimento:Enquanto estávamos passeando a sós no pomar, esta
mulher entrou com duas empregadas. Depois, fechou as portas do
pomar e mandou as servas embora.Então, veio ter com ela um
moço que estava escondido, e com ela se deitou.Nós, que
estávamos num canto do pomar, vimos esta infâmia. Corremos
para eles e os surpreendemos juntos. Quanto ao jovem, não
conseguimos agarrá-lo,porque era mais forte do que nós e,
abrindo as portas, fugiu. A ela, porém, agarramos, e
perguntamos quem era aquele moço. Ela, porém, não quis
dizer.Disto nós somos testemunhas.
A
assembleia acreditou neles, pois eram anciãos do povo e
juízes. E condenaram Susana à morte. Susana, porém,
chorando, disse em voz alta: Ó Deus eterno, que conheces as
coisas escondidas e sabes tudo de antemão,antes que
aconteça! Tu sabes que é falso o testemunho que
levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando
nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito! O
Senhor escutou sua voz. Enquanto a levavam para a
execução, Deus excitou o santo espírito de um
adolescente, de nome Daniel. E ele clamou em alta voz: Sou
inocente do sangue desta mulher! Todo o povo então voltou-se
para ele e perguntou: Que palavra é esta, que acabas de dizer?
De
pé, no meio deles, Daniel respondeu: Sois tão insensatos,
filhos de Israel?Sem julgamento e sem conhecimento da causa
verdadeira, vós condenais uma filha de Israel? Voltai a
repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que
levantaram contra ela! Todo o povo voltou apressadamente, e
outros anciãos disseram ao jovem: Senta-te no meio de nós e
dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da
velhice. Falou então Daniel: Mantende os dois
separados,longe um do outro, e eu os julgarei.
Tendo
sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: Velho
encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que
estavas habituado a praticar. Fazias julgamentos
injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando
o Senhor ordena: Tu não farás morrer o inocente e o
justo!Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que
árvore os viste abraçados? Ele respondeu: É sombra de uma
aroeira. Daniel replicou Mentiste com perfeição, contra
a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo
recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!
Mandando
sair este, ordenou que trouxessem o outro: Raça de Canaã,
e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão
perverteu o teu coração. Era assim que procedíeis com as
filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas
uma filha de Judá não se submeteu a essa iniquidade. Agora,
pois, dize-medebaixo de que árvore os surpreendeste juntos? Ele
respondeu: Debaixo de uma azinheira. Daniel
retrucou: Também tu mentiste com perfeição, contra a
tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à
espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e
para te exterminar!
Toda
a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus,
que salva os que nele esperam. E voltaram-se contra os dois
velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias
palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo
segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que
haviam tramado perversamente contra o próximo. E assim os
mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente. -
Palavra do Senhor.
Comentando
a Liturgia: A história-parábola de Suzana adquire seu
mais autêntico significado se for enquadrada na situação
particular do povo hebreu, solicitado pela cultura helenística a
abraçar o paganismo, como efetivamente alguns fizeram.
Suzana
é a personificação dos justos que não cedem a nenhuma pressão
ou ameaça, cheios de confiança em Deus e fiéis à religião dos
pais. Com a intervenção de Daniel, as sortes se invertem:
restaura-se a justiça. Admoestação para todos aqueles que,
passando ao paganismo, cometeram adultério contra o amor esponsal
de Deus para com Israel, aos justos, contudo, a narrativa deve
infundir confiança de que Deus não os abandona.
Para
nós é um aviso a que resistamos às múltiplas solicitações de
uma vida demasiada fácil, até mesmo paganizada, como exige a
fidelidade ao nosso batismo.
Salmo: 23
(24) Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu
temerei, estais comigo.
O
Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos
prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas
repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
Ele
me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu
passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com
bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
Preparais
à minha frente uma mesa, bem à vista do meu inimigo, com óleo vós
ungis minha cabeça, e meu cálice transborda.
Felicidade
e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do
Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.
Evangelho: João
8,1-11 Quem dentre vós não tiver pecado, seja o
primeiro a atirar-lhe uma pedra
Naquele
tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de
novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se,
começou a ensiná-los. Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus
trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o
meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi
surpreendida em flagrante adultério. Moisés na Lei mandou
apedrejar tais mulheres. Que dizes tu? Perguntavam isso para
experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar.
Mas
Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como
persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: Quem dentre
vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra. E
tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. E eles,
ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos
mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no
meio, em pé.
Então
Jesus se levantou e disse: Mulher, onde estão eles? Ninguém te
condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Então Jesus lhe disse:
Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não
peques mais. - Palavra da Salvação.
Comentando
o Evangelho (Padre Jaldemir Vitório / Jesuíta): O
episódio do julgamento frustrado da mulher flagrada em adultério
chama a atenção para o tipo de juízo a que Jesus será submetido,
chegando até ser condenado à morte. A malícia e a hipocrisia que
condenaram a mulher haveriam de recair também sobre Jesus.
Os
mestres da Lei e os fariseus, ao surpreenderem a mulher em
adultério, conheciam perfeitamente a providência a ser tomada.
Aliás, eles mesmos se confessaram conhecedores da Lei, a qual
ordenava a lapidação imediata das adúlteras. Portanto, não tinha
sentido interrogar Jesus a este respeito. O que os adversários
visavam era colher provas contra ele, saídas de sua própria boca.
De fato, quem estava sendo julgado era Jesus, não a mulher
adúltera.
O
gesto sereno do Mestre, apesar da insistência de seus inquisidores,
foi uma clara demonstração de que ele não os temia. Continuou a
escrever no chão. Depois, ergueu-se para confrontá-los com uma
pergunta fulminante: "Quem de vocês não tiver pecado, seja o
primeiro a apedrejar esta mulher!". Então, toda a malícia de
seus adversários ficou patente, pois foram se retirando, um por um,
a começar pelos mais velhos. É porque não tinham moral para
julgar a adúltera, e muito menos para julgar Jesus. Que tratassem
de se corrigir, antes de se arvorarem em juízes do próximo!
A
mulher teve Jesus para defendê-la da malícia e da hipocrisia dos
seus acusadores. Quanto a Jesus, haveria de ser condenado por
pecados que não cometeu.
INTENÇÕES
PARA O MÊS DE ABRIL:
Intenção
Universal: Ecologia e justiça - Para que os
governantes promovam o respeito pela criação e uma justa
distribuição dos bens e dos recursos naturais.
Intenção
para a Evangelização: Esperança
para quem sofre - Para
que o Senhor Ressuscitado encha de esperança o coração daqueles
que experimentam a dor e a doença.
TEMPO
LITÚRGICO:
Tempo
da Quaresma (CNBB-DL/2011): Vai da quarta-feira de Cinzas
até a missa da Ceia do Senhor, exclusive. É o tempo para preparar
a celebração da Páscoa. “Tanto na liturgia quanto na catequese
litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal
que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e
pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a
Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à
celebração do mistério pascal” (SC 109).
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Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores, o toque de
instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto.
Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as
solenidades e festas.
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A cor do tempo é roxa. No Domingo Laetare, pode-se usar
cor-de-rosa. (IGMR nº308f)
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Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o
Aleluia.
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Nas solenidades e festas somente, como ainda em celebrações
especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.
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As memórias obrigatórias que ocorrem neste dia podem ser
celebradas como memórias facultativas. Não são permitidas missas
votivas (devoção particular).
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Na celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa,
deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos
que se abstenham de demasia pompa.
Cor
Litúrgica: ROXO - Simboliza a preparação, penitência ou
conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Fonte:
CNBB / Missal Cotidiano