2ª
Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério
Prefácio
da Quaresma - Ofício do dia do Tempo da Quaresma
Cor:
Roxo - Ano Litúrgico “A” - São Mateus
Antífona:
138,23-24 Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se
ando pela vereda do mal e conduzi-me nos caminho da eternidade.
Oração
do Dia: Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai
para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que,
renovados pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes
nas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo. Amém!
LEITURAS:
Primeira
Leitura: Jr 17,5-10 Maldito o homem que confia no homem.
Bendito o homem que põe sua confiança no Senhor.
Maldito
o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne
humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos
no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na
secura do ermo, em região salobra e desabitada.
Bendito
o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a
árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca
da umidade, e por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem
mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa
de dar frutos.
Em
tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá
conhecê-lo? Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os
sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme
o fruto de suas obras. - Palavra do Senhor.
Comentando
a Liturgia: Em quem se deve
esperar? No homem, afirmam muitos de nossos contemporâneos, que
sonham libertar o mundo das tutelas religiosas para confiá-lo
totalmente às mãos do homem.
Sua
confiança no homem é comovedora, mas segundo a linguagem do
profeta eles seriam malditos, iludidos. Acabam por serem homens sem
esperança porque lhes falta a confiança na ressurreição. Além
disso, constatando a maldade humana, concluem amargamente que o
homem não merece confiança.
Só
existe uma possibilidade de esperar no homem: esperar no homem Jesus
Cristo. Nele Deus nos dá a possibilidade de tornar tudo novo e de
crer no futuro. Nele a vida humana torna-se possível e vale a pena
ser vivida.
É
possível, então, esperar também nos outros homens, porque sua
graça pode transformá-los e torná-los corresponsáveis, mediante
um engajamento fiel no mundo, pela construção de um futuro melhor.
Salmo: 1,1-2.3.4.6
(R. Sl 39,5a) É feliz quem a Deus se confia!
Feliz
é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos;
que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai
sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e
noite, sem cessar.
Eis
que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está
plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas
folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
Mas
bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à
palha seca espalhada e dispersa pelo vento. Pois Deus vigia o
caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Evangelho:
Lc 16,19-31 Tu recebeste teus bens durante a vida e
Lázaro os males; agora ele encontra aqui consolo e tu és
atormentado.
Naquele
tempo, disse Jesus aos fariseus: Havia um homem rico, que se vestia
com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os
dias. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão,
à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam
da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas
feridas.
Quando
o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu
também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos
tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com
Lázaro ao seu lado. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de
mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a
língua, porque sofro muito nestas chamas’.
Mas
Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens
durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele
encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há
grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não
poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam
atravessar até nós’.
O
rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu
pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não
venham também eles para este lugar de tormento’. Mas Abraão
respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
O
rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até
eles, certamente vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se
não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão,
mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’. - Palavra da
Salvação.
Comentando
o Evangelho (Antônio Carlos Santini / Com. Católica Nova
Aliança): Notável a parábola
do “rico indiferente”, ou melhor, “parábola dos seis irmãos”,
como sugere J. Jeremias (“As Parábolas de Jesus”, Ed. Paulinas,
1983). Parábola que pode ser lida com humor ou com tremor...
Uma
narrativa em dois tempos: neste mundo, o pobre entre dores e o rico
entre gozos; no outro mundo, posições invertidas. E... para
sempre, sem remissão... Detalhe curioso: é a única parábola de
Jesus em que um dos personagens tem nome: Lázaro (ou Eleazar), que
significa, em hebraico, “Deus ajuda”. Já o apelido do rico
indiferente – Epulão – é posterior e não consta do original.
Entre
os dois “tempos”, a morte como um limiar e uma virada, que tudo
multiplica por (–1), invertendo todos os valores. O mendigo
sofredor acaba no “seio de Abraão” (imagem do Céu), enquanto o
rico gozador acaba atormentado no inferno (dispensa imagens!). O
rico tenta um recurso paradoxal: pede a Abraão uma espécie de
mediação do próprio Lázaro, para refrescar sua sede infernal. O
mesmo que, antes, negara migalhas de pão, agora suplica por uma
gota d’água...
Como
isto era impossível, pois um abismo intransponível (chaos magnum,
em latim) impede o contato entre céu e inferno, o condenado mostra
preocupação com seus cinco irmãos que ainda vivem na terra e –
supõe-se – viviam um estilo de vida semelhante ao que ele mesmo
havia escolhido. Pede que o fantasma de Lázaro vá alertá-los. E
ouve do Pai Abraão a resposta: “Eles têm Moisés (a Palavra
escrita, lógos) e os Profetas (a Palavra viva, rhema). Basta
ouvi-los!”
O
ricaço ainda argumenta que a aparição de um morto teria mais
impacto e os levaria à conversão. E a crua resposta: quem não
ouve a Lei e as Profecias, também não daria ouvidos a um morto...
Quantas
lições! Não se vive impunemente. Há uma retribuição
proporcional. Ficar surdo à Lei de Deus é coisa séria, de graves
consequências. A indiferença ao pobre é mortal!
Prefiro,
contudo, fixar-me em uma única lição: existe um outro mundo. Este
mundo não é o único. Aliás, este é provisório, passageiro. O
outro, sim, é definitivo, tecido de eternidade. E viver como se
nada houvesse além deste mundo, é pura insanidade!
Para
que mundo nós estamos vivendo?
INTENÇÕES
PARA O MÊS DE MARÇO:
Geral
– Direitos da mulher: Para que todas as culturas
respeitem os direitos e a dignidade da mulher.
Missionária
– Jovens evangelizadores: Para que muitos jovens acolham
o convite do Senhor a consagrar a vida ao anúncio do Evangelho.
TEMPO
LITÚRGICO:
Tempo
da Quaresma (CNBB-DL/2011): Vai da quarta-feira de Cinzas
até a missa da Ceia do Senhor, exclusive. É o tempo para preparar
a celebração da Páscoa. “Tanto na liturgia quanto na catequese
litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal
que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e
pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a
Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à
celebração do mistério pascal” (SC 109).
-
Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores, o toque de
instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto.
Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as
solenidades e festas.
-
A cor do tempo é roxa. No Domingo Laetare, pode-se usar
cor-de-rosa. (IGMR nº308f)
-
Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o
Aleluia.
-
Nas solenidades e festas somente, como ainda em celebrações
especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.
-
As memórias obrigatórias que ocorrem neste dia podem ser
celebradas como memórias facultativas. Não são permitidas missas
votivas (devoção particular).
-
Na celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa,
deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos
que se abstenham de demasia pompa.
Cor
Litúrgica: ROXO -
Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas
missas da Quaresma e do Advento.
Fonte:
CNBB / Missal Cotidiano